Um canedense desaparecido nas Bahamas. Mãe pede ajuda para procurá-lo

O jovem Maycon foi tentar a vida nos EUA para melhorar a situação da família em maio deste ano e desde agosto não se tem mais notícias.

Ficamos sabendo do desaparecimento de um jovem brasileiro, canedense, através de uma amiga da família que nos procurou.  O jovem tentava entrar nos EUA em busca de oportunidades para ajudar sua família aqui no Brasil. Sua mãe está com saudades e uma dor incontrolável pela ausência do filho. Já são três meses sem contatos.

A partir deste dia o Diário Popular foi à procura de mais informações acerca do caso com o objetivo, de alguma forma, de ajudar a família neste momento difícil, quiçá um momento trágico, principalmente para a mãe do jovem desaparecido que, diremos no decorrer do texto, está muito abalada e sem chão.

Maycon Eder Alves de Jesus saiu do Brasil no dia 11 de maio deste ano. O último contanto com a mãe fora no dia três de agosto e desde então não teve mais notícias do rapaz.

Nosso primeiro contato com a família de Maycon ocorreu na casa da mãe dele, dona Idalira Alves Souza de Jesus, uma mulher muito simpática, acolhedora e de uma força indescritível. Ela encontra, não se sabe onde, uma força que só uma guerreira como ela tem em seu interior. Algo de se admirar muito. Fomos à casa dela à tarde, às 15h como combinado, da semana passada. Ao vê-la, percebe-se que a tristeza está à amostra em seus olhos, ainda que ela tente amenizar o sofrimento, arriscando um sorriso, a decepção com esta situação do desaparecimento do filho não permite esta reação.

A ausência do filho, há meses, enche de lamúrias o coração de dona Idalira. A cada fala dela, as lágrimas insistiam em cair de seus olhos, sempre que o pensamento dela buscava Maycon. Acabava trazendo, não seu filho, mas um aperto no coração e uma vontade explícita de chorar muito, sem cessar. Nossa entrevista durou pouco mais de 50 minutos. Foram minutos acompanhados de muita tristeza, dor, mas, também, de muita esperança por parte desta batalhadora chamada Idalira. Sua frase forte e que era assoprada a todo instante era uma demonstração de garra e força de vontade: “Meu filho está vivo, tenho certeza, e vou buscá-lo!

Dona Idalira e família não estão satisfeitas com as informações que recebem do Itamaraty, não concordam com o que eles afirmam. Segundo ela, o Itamaraty diz que Maycon não está em nenhuma delegacia nos EUA, mas o ministério limita-se a dizer apenas isso. Para a família, falta um pouco de mais empenho por parte desse ministério. Também segundo a família de Maycon, há outros 12 brasileiros desaparecidos na tentativa de entrar nos EUA. E as famílias desses demais brasileiros estão na mesma situação que a família de Maycon, pedindo ajuda à sociedade e às autoridades. Dona Idalira ainda lembra de avisar a tantos outros brasileiros e brasileiras que queiram tentar ir aos EUA de forma ilegal, que tomem cuidado ou não vão para que não passem pelo que o filho dela está passando.

Na entrevista com dona Idalira resolvemos questionar apenas os fatos mais relevantes para impedir qualquer tipo de texto de cunho sensacionalista, devido ao momento de dor desta mulher. Ainda assim, nosso cuidado em não fazer perguntas que poderiam virem com respostas acompanhadas de lágrimas, às vezes era inevitável e dona Idalira não conseguia cessar as lágrimas.

Diário Popular: Quando foi o último contato de Maycon com a família?

Dona Idalira: Meu filho me mandou mensagem pela última vez em três de agosto, pouco antes de atravessar para os EUA. Ele me informou que a travessia pelo mar duraria umas três horas e por isso não conseguiria falar mais comigo neste período. Foi nosso último contato. E agora são três meses sem ouvir e nem ler nada do meu filho. Um sofrimento muito grande, só Deus para me ajudar nessa dor.

DP: A senhora acredita que seu filho está vivo?

Dona Idalira: Tenho certeza que meu filho está vivo, sim, tenho isso no meu coração. Sei que ele está vivo, vou buscar meu filho e vou mostrar para todos que meu filho está vivo e que vai voltar para casa. Esta certeza eu tenho e vou provar.

DP: O que Maycon foi fazer nos EUA?

Dona Idalira: Meu filho estava desesperado procurando um trabalho aqui, fez vários cursos e não conseguiu nada. Ficou ainda mais triste quando viu seu pai perder o emprego e por isso me disse que ia tentar a vida nos EUA e ia mandar dinheiro para ajudar nossa família. Foi por isso que ele viajou. Ele não conseguia ficar vendo tudo isso. Estava muito triste com esta situação. Foi embora querendo nos ajudar.

DP: O que as autoridades de Senador Canedo fizeram para ajudar?

Dona Idalira: Nós não procuramos nem a prefeitura e nem a Câmara, mas acho que as autoridades sabem desta história e não fomos procurados ainda. Estamos precisando muito desta ajuda, quero ir buscar meu filho.

As falas de dona Idalira eram sempre interrompidas pela emoção da saudade do filho. Tivemos que interromper a entrevista em alguns momentos para que ela pudesse respirar fundo e continuar com aquele assunto tão melancólico.

A reportagem se comprometeu a procurar as autoridades de Senador Canedo para que estas pudessem fazer algo pela família. Então entramos em contato com a assessoria do prefeito Divino Lemes e também com o presidente da Câmara Rodrigo Rosa.

Até o fechamento desta reportagem, a prefeitura ainda não havia dado um retorno, e o presidente da Câmara Rodrigo Rosa pediu que o Diário Popular procurasse a primeira-dama, Laudeni Lemes.

Publicado por Thyago Humberto em 08 de novembro às 14:20.

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